CHEGAMOS AOS TEMPOS DO ANTICRISTO?

Carlos Nougué

Observação do claravalcister

O que segue não é um artigo do prof. Carlos Nougué. É simplesmente a transcrição de apresentação de seu novo livro sobre o apocalipse. É uma cópia ipses litteris, até no formato.

“Por isso se deve dizer que a apostasia do
Império Romano é entendida não só do
temporal, mas do espiritual, ou seja, da fé
católica da Igreja Romana. Mas este sinal
é conveniente, pois, assim como Cristo
veio quando o Império Romano dominava
sobre todos, assim, pelo contrário, um
sinal do Anticristo é a apostasia dele.”

Santo Tomás de Aquino,
Comentário a II Tessalonicenses

“Parece que estamos vivendo a última
etapa da história da Igreja.”

Santo Antônio Maria Claret

“Quem pesa estas coisas [atuais] tem o
direito de  temer que tal perversão
dos espíritos seja o começo dos males
anunciados para o fim dos tempos.”

São Pio X, E Supremi Apostolatus

“Diz aquele que testemunha estas
coisas: ‘Sim, venho logo’.
– Amém! Vem, Senhor Jesus.”

Na parte que segue você pode ver, em negrito, Carlos Nougué afirmar sua crença em que já teríamos chegado aos tempos do apocalipse. Nada de bagarre e reino de Maria.

Continuemos com a apresentação do livro:

Apocalipse de São João XXII, 20

Não há livro da Bíblia mais comentado que o Apocalipse de São João, e não só por católicos mas também por heréticos e racionalistas; e no entanto não é possível encontrar mais discrepâncias entre exegetas do que entre os comentadores desta Profecia. Uma vida seria insuficiente para ler todos os comentários ao livro de São João, e duas para refutar todos os que nos parecessem equivocados.

Trata-se então de profecia obscura, como muitos o dizem? Nunca nos pareceu tal, razão por que nos lançamos a comentá-la já faz cerca de dez anos. Nesta década de escrita e reescrita de nosso livro, viemos consolidando a certeza de que hoje boa parte do profetizado no Apocalipse ou já se cumpriu ou se está cumprindo no curso de nossa própria vida. Naturalmente, tudo quanto se possa dizer com respeito a esta Profecia – sem dúvida, a mais importante de todos os tempos – há de pôr-se sob juízo do magistério autêntico da Igreja. Mas seria atitude “de avestruz” – na qual infelizmente incorrem não poucos comentadores mais ou menos modernos – tapar a visão para a já longa apostasia que vem carcomendo o mundo e que acabou por transbordar até para o lugar santo. É-nos interditado, sim, propor datas para o Anticristo e para o fim; mas absolutamente não o é ter e dar uma visão realista – e teológica – tanto da história em geral como da história em curso. Afinal, insista-se, as profecias são para entender-se no momento mesmo em que se cumprem.

Nosso livro, portanto, além de refutar extensamente os erros e as impiedades racionalistas que se cometeram e cometem contra este santo e sublime Livro, e de desdobrar-se em detido e pormenorizado comentário literal, versículo a versículo, não se esquiva da responsabilidade de ver o atualmente visível e de dizer o hodiernamente dizível. Contra por um lado o “preterismo” e o “escatologismo” e por outro lado as “sete Igrejas” e o “milenarismo” em todas as suas formas, conjugamos de certo modo a doutrina apocalíptica de Santo Agostinho com a de Allioli e com as contribuições de Santo Tomás, do Cardeal Pie de Poitiers, do Père Calmel O.P., do Frère Emmanuel-Marie O.P. e do Padre Calderón, para todavia alcançar algo de todo nosso – não por desejo do inusitado ou de singularidade, mas por convicção de sua veracidade e necessidade. É que, se, como o cremos, o Apocalipse é profecia respeitante a todo o século senecto que vai da Ascenção de Nosso Senhor à sua volta gloriosa ou Parusia – devendo combinar-se, ademais, com o pequeno Apocalipse sinóptico e com o São Paulo de Romanos e de II Tessalonicenses –, então igualmente há de ser alto guia para os que estamos em via neste mesmo século, e em particular nos dias de trevas em que nos coube viver.

Notas:

  1. Tanto o preterismo quanto o escatologismo seriam formas deturpadas de se entender os tempos do anticristo. Visões erradas do passado da Igreja, no primeiro, e visões também falsas sobre o presente e o futuro no segundo caso.
  2. Nougué já fez críticas àqueles que considera milenaristas e, se entendi bem, vai aprofundar mais ainda suas críticas no livro que está sendo lançado. É o que deduzo do índice do livro onde é dito: a análise do milênio será “a parte mais extensa e mais própria de nosso comentário”

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