
Como você e eu vemos a situação da Igreja e do mundo? Há uma resposta simples – ou até simplista -: podemos ser otimistas, realistas ou pessimistas e, para complicar, podemos lembrar que em cada uma dessas respostas há matizes ou gradações.
Pensei nessas coisas ao ler uma Rádio mensagem de Pio XII de 24 de dezembro de 1944 (1) e em vários artigos que li nos últimos meses, todos abordando problemas do mundo moderno. Há quem, apesar de tudo, seja otimista. São católicos atentos a sinais que mostram um renascimento da fé e acreditam, com entusiasmo, que ainda há muito por fazer. Por outro lado há quem veja, principalmente, tudo o que há de negativo em nossos dias. Uns afirmam que o caos no mundo e a crise na Igreja, que produziu uma enorme apostasia, não poderá ser extinta senão por uma formidável intervenção de Deus na história. Neste caso, a humanidade que destronou a Deus, cairia em um caos que provocaria guerras de todo tipo e terríveis perseguições à Igreja. Esse caos, que chamam de bagarre (2), seria um castigo de Deus para a humanidade, e duraria, pelo menos, uns 10 anos. Tempo necessário para quebrar a dureza do coração humano. Porém, aí entraria a Providência com uma imensa graça, que chamam de Grand-Retour, que faria com que toda a humanidade remanescente se voltasse para Deus e para a Igreja. Mais ainda, tal conversão nos levaria a termos uma nova Cristandade que chamam de Reino de Maria. Tal é o pensamento de instituições e movimentos tradicionalistas no Brasil, como é o caso dos Arautos do Evangelho e da antiga TFP, hoje IPCO, (Instituto Plínio Corrêa de Oliveira).

Por outro lado, há quem rejeite taxativamente tal teoria. São aqueles que acreditam que a apostasia atual e o caos do mundo são tão profundos que os leva a acreditar que chegamos à época do anticristo. É o que pensa, por exemplo, o filósofo-tomista, prof. Carlos Nougué.
O que pensar de tudo isso? O que diz o magistério da Igreja?
Vou responder após postar os artigos. De momento faço uma observação. Não são apenas tradicionalistas que abordam o assunto. O tema do anticristo faz parte do ensinamento cristão, católico e não católico. Aliás, quem conhece a Sagrada Escritura e a história da Igreja sabe que os cristãos sempre procuraram saber quando seria a segunda vinda de Cristo. Também se perguntavam se haveria uma época dourada em que Cristo reinaria sobre toda a humanidade.
Vou publicar alguns artigos sobre o tema. No primeiro vamos ver o que argumentam os que acreditam que vai haver uma bagarre e o Reino de Maria. Depois vamos ver porque o prof. Carlos Nougué afirma que tem “certeza de que hoje boa parte do profetizado no Apocalipse ou já se cumpriu ou se está cumprindo no curso de nossa própria vida”.
Será mesmo? Estamos nos tempos do anticristo?
Terminaremos a série citando textos de Pio XII e Leão XIV, que abordam os problemas do mundo moderno e um artigo, de articulista norte-americano que apresenta sinais de esperança para a Igreja em nossos dias.
Como disse, não é tema pensado só por minorias.
Há uma posição certa sobre o assunto?
Vamos ver.
Notas:
- Vou postar excertos da rádio mensagem de Pio XII e do discurso de Leão XIV a embaixadores.
- Bagarre, em francês, significa briga, luta, confusão, caos. Seria uma grande luta entre o bem e o mal antes do Grand Retour e o Reino de Maria. É palavra usada pelos tradicionalistas acima citados.