SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

Padre João Bechara

Não é apenas um título piedoso nem metáfora, tampouco a tentativa de igualá-Lo aos poderosos do mundo. Cristo é Rei, soberano por excelência.

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Cristo Rei

É o legislador, pois “tudo foi criado por meio Dele e para Ele. Ele existe antes de todas as coisas, e todas as coisas têm Nele a sua consistência” (Cl 1,16-17). As leis da natureza e a constituição íntima do que existe foram feitas pelo Filho de Deus. Ele pode até permanecer em silêncio; ser desprezado; blasfemado… Porém, a Sua lei está inscrita nos corações; a natureza de cada coisa foi estabelecida por Ele.

É também juiz. Concede-nos livre-arbítrio pois, diferentemente das paixões mundanas – que seduzem e escravizam –, o Seu amor é saboreado somente na liberdade dos filhos de Deus. Porém, Jesus julgará tudo e todos. Exporá a verdade sobre os homens e, avaliando como utilizamos a nossa liberdade, recompensará cada um segundo as suas obras. Com efeito, “o Pai deu ao Filho o poder de julgar, para que todos honrem o Filho assim como honram o Pai” (Jo 5,22-23).

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É o nosso governante: “Ele é a Cabeça do corpo, isto é, da Igreja” (Cl 1,18). Cristo é quem efetivamente ensina, santifica e pastoreia quem lhe obedece. Submete-se à humilhação de, por vezes, ser representado por ministros indignos. Ainda assim, conduz pacientemente o rebanho; tolera, corrige e, às vezes, denuncia os maus. Um dia, separará definitivamente as ovelhas dos cabritos, o joio do trigo, e dirá aos maus: “Não vos conheço, afastai-vos de Mim” (Lc 13,27).

O Senhor é Rei, além disso, pois está sentado à direita do Pai dos Céus. Ao Reino celeste se referiu o “Bom Ladrão”: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino” (Lc 23,42). Sobre esse Reino Ele mesmo falou a Pilatos: “O Meu Reino não é deste mundo” (Jo 18,36). O prefácio da Santa Missa descreve-o como “um reino eterno e universal: reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz”. 

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Papa Pio XI

Contudo, o fato de Jesus possuir um Reino celestial não nos exime de buscar o seu reinado neste mundo. Primeiro em nossas próprias inteligências, vontades e corações. Mas, também, esforçando-nos para que o mundo do trabalho e da política sejam informados pelos preceitos do Evangelho. Este é o motivo pelo qual o Papa Pio XI estabeleceu a Solenidade de Cristo Rei. É dever dos políticos, dos trabalhadores e das famílias cristãs buscar uma ordem social conforme o Evangelho. 

O abandono da Lei do Senhor faz multiplicar o sofrimento no mundo. Indiferença, miséria, guerras injustas, homicídio, roubo e leis imorais são o fruto de nações que viraram as costas a Deus. Existe um só remédio: “Reconhece que o Senhor é o Deus lá em cima no céu e cá embaixo na terra” (Dt 4,39). Os poderosos que não lhe obedecem perecerão. “O Altíssimo dá o poder a quem Ele quer” (Dn 4,29), mas adverte: “Governantes da terra, servi ao Senhor com reverência e prestai-lhe homenagem com tremor, para que Ele não se irrite e pereçais pelo caminho. Felizes os que Nele se abrigam!” (Sl 2,10). 

Fonte: http://www.osaopaulo.org.br/colunas/cristo-rei

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