FÉ, VERDADE, CARIDADE. REFLEXÕES SOBRE AS DECLARAÇÕES PAPAIS

Valter de Oliveira

“O obscurecimento da verdade é a própria miséria do homem” (Cardeal Ratzinger)

As recentes declarações do Papa sobre uniões civis de pessoas do mesmo sexo causaram muitas confusões nos meios católicos e podem provocar muitas indagações. Destaco algumas:

  1. Convém que a mídia católica divulgue declarações que podem estar distorcidas?
  2. Convém que católicos as discutam nas mídias sociais?
  3. O espírito filial que todo católico deve ter em relação ao Santo Padre pode se coadunar com uma expressão de justa perplexidade?
  4. Mais ainda, se for confirmada a opinião pessoal do Papa sobre o tema – e outros que já surgiram e podem vir a surgir – o que fazer?

Um católico deve tentar se posicionar diante de tudo isso tendo como base e farol a própria doutrina da Igreja. Vamos às respostas:

  1. A mídia católica, de todos os tipos, tem uma obrigação estrita com a verdade. Se algo aparece distorcido cabe a ela trazer luz sobre o caso, distinguindo o verdadeiro do falso. Quem dela participa deve ter a verdade como uma santa obsessão e deve rezar para ter espírito sobrenatural, procurando ver, de modo mais elevado, o que acontece na Igreja. O mesmo vale para o historiador católico. O site claravalcister.com tem isso por norma, dentro de suas limitações humanas. Resultado: dentro de um trabalho “jornalístico’ histórico procura mostrar o que acontece nos meios católicos e procura, ao mesmo tempo, mostrar os ensinamentos da Igreja com todo seu passado glorioso. Também sem negar as falhas humanas de seus fiéis. Falhas que nunca mancharam a santidade do Corpo Místico de Cristo.  
  2. A internet é um espaço de liberdade. Podemos usá-la bem ou mal. Para atuarmos bem devemos levar em conta procedimentos próprios de qualquer pessoa séria. Um católico, quando comenta algo sobre a igreja, deve lembrar que não está em um estádio, em uma arena, onde, ao lado de alegrias, se  extravasam mágoas e frustrações. Em nenhum momento pode ser destemperado. Deve procurar ver tudo com lucidez e sentir com caridade cristã.
  3. Os Papas e bispos da Santa Igreja podem falar oficialmente e em particular. Procuramos em suas palavras a água cristalina e refrescante da doutrina e da vida de Cristo, o pão e o mel que alimentam nossa alma. Só não podemos esquecer que são humanos. Enquanto tal, podem falhar. Tais falhas podem nos deixar perplexos, atônitos, até indignados. O que não implica em perder o espírito filial e nem o da legítima obediência.
  4. Agora vamos ao ponto crucial. Peguemos as palavras atribuídas ao Papa Francisco. O que fazer?

Obviamente o primeiro dever moral é ver o que realmente foi dito. Certo disso devemos emitir um equilibrado juízo sobre ele. Se formos capazes. Juízo que pode ser expresso ou não. Pode ficar no foro interno. Às vezes, expressá-lo  é um dever. Depende da pessoa e das circunstâncias.  

E o que não pode ser feito?

Negar a verdade. Se é confirmado que o Santo Padre defendeu a união civil de homossexuais ele o fez como opinião pessoal, não é ensinamento da Igreja. Lamenta-se. Reza-se.

Mas não é obrigação de um católico defender o Papa e nossa fé católica?

Sem dúvida alguma. Com todo empenho.

Mas…

O bem se defende com o bem. Uma tentativa de camuflar o que aconteceu, colocar panos quentes, é uma tentativa de negar a verdade. Negar a verdade é negar a Cristo, a Verdade Encarnada.

Mau serviço para a Igreja. Mau exemplo para outros crentes e até pessoas sem fé. Perda de credibilidade de cada um de nós, como pessoas, e, por consequência, da influência da Igreja sobre todos os que amamos.

Outro ponto: a negação da verdade não contribui para a paz e a unidade da Igreja. Pelo contrário, trará mais divisões; mais desalento: mais perda de fé.

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É bom que nos olhem e digam, como se falava dos primeiros cristãos: “vejam como se amam”.

Que também se diga de nós: “vejam como são coerentes, como são verdadeiros, como, no meio da tempestade, não abandonam o barco e mantêm a fé”

Um católico deve fazer parte da muralha da Santa Igreja. Pode ser pequena, mas deve ser de granito. Bem presa e irmanada a todas as outras pedras vivas impregnadas do espírito de Cristo

Que a Virgem Santíssima proteja e alente a todos nós.

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